Protecionismo: o inimigo da recuperação.
Na maior recessão de alcance global desde a Grande Depressão, o protecionismo é um veneno para a recuperação. E nós sentimos um gostinho disso na semana passada...
Os chineses fornecem cerca de 19% do mercado norte-americano de pneus. E a administração de Obama simplesmente aumentou em 35% o imposto sobre essas importações!
E este não é um incidente isolado. Quando os líderes globais se encontraram em abril passado em Londres para a reunião do G-20, eles chamaram a atenção para “a grande importância de evitar o protecionismo”. Mas suas ações tem falado mais alto do que suas palavras...
Um recente relatório da Organização Mundial do Comércio mostra que, desde que a economia global despencou, o protecionismo está em ascensão com um aumento acentuado nas restrições de novos negócios segundo a OMC.
Desde abril, 91 novas ações protecionistas foram relatadas contra membros do G-20.
O Protecionismo é uma resposta natural em recessões. Quando os empregos diminuem a percepção da maioria dos trabalhadores em relação à globalização se torna mais negativa. E estudos mostram que, durante esses períodos, o número de pessoas a favor da idéia de aumentar os impostos sobre produtos importados aumenta consideravelmente. Portanto, a política tem um papel muito importante.
Mas o protecionismo tem historicamente colocado economias fracas numa crise mais profunda e prolongada.
Mas o que torna o protecionismo tão perigoso?
Retaliação! Outros países tendem a tomar ações parecidas, sufocando a atividade de comércio internacional.
Por exemplo: a China respondeu ao aumento de impostos sobre os seus pneus lançando um inquérito sobre as práticas de dumping no setor automotivo e alimentício desses produtos americanos. Dumping é quando exportadores vendem um produto por um valor muito inferior ao valor de mercado ou do que custa para ser produzido no mercado de origem.
As exportações são tipicamente uma ferramenta chave para tirar os países da recessão. E em recessões comuns, os países podem desvalorizar suas moedas para melhorar a competitividade de suas exportações.
Mas numa recessão global, a desvalorização da moeda tem o efeito viral. Assim como as restrições, se alguns países desvalorizarem sua moeda, outros também o farão. Essa desvalorização reforça a retaliação e poderia abalar uma recuperação.
Na próxima semana haverá novo encontro do G-20. Pode apostar que o assunto protecionismo será novamente a bola da vez.
Do original “ Protectionism: enemy of recovery”, by Bryan Rich.
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